quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Ouro dos Tolos






Nunca me senti tão só.
Nadando contra uma torrente humana tento não me afogar.
O meu cavalo se rebelou pelo deserto.
Minha espada e meu escudo já não levanto.
E nem na areia ouso escrever quem sou.
Sobre quantos corpos hei de caminhar
Antes que eu mesma me torne um cadáver?

Sob diversas cicatrizes abrigo ainda ideais que tatuei
Para me lembrar do meu destino.
E esses mapas borrados de lágrimas
Já não me servem de nada.
Não posso me guiar por uma turva visão.
E a fada morta em minhas mãos
Se parece comigo quando criança.

Sei que o começo de tudo
Não foi há muito tempo atrás.
Eu me pareço com os animais
Que simplesmente são.
E sem qualquer intenção eu busco o ouro dos tolos
Sem que necessariamente eu queira lutar com alguém

Nado contra um mar de gente estranha
É tanta gente estranha e tanto pó
Nunca me senti tão só
Buscando ilusão tamanha.

domingo, 25 de maio de 2025

Casinha coberta de musgo.



Na casa antiga de madeira e musgo, Morava a docura em forma de dois Um casal que abria portas ao mundo. Ali, palavras dançavam em copos, Versos sorviam a luz da razão, Na praça de pedra, sob o sol do tempo, A arte se fazia ecomunhaoão. Mas o chão, ah, o chão era vida e prova, De lagartas, formigas e ilusão. Pisava-se leve, evitava-se a dor, Num lar feito altar de devocão. Era homenagem ao poeta ausente, Que vinha e ia, sem pertencer. Eles o amavam com fé inocente, Mas ele só vinha livrar-se do tédio, E à devoção era indiferente. Municiada com palavras brandas, Tentei alertar sem ferir a criança, O poeta não via o que ali se ofertava. Mas o olhar era puro demais, que cegava, Fugi dessa casa, do chão que rastejava, Dos sonhos que doíam em sua mansidão. E deixei no vento a semente do aviso, Com amor, com dor, e com compaixao.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Aurora que te leva.



Detesto o dia
Tenho o Sol como inimigo
Pois é nos meus sonhos
Que sou feliz contigo


Não posso comer
Pois só teu corpo me alenta
Deitada em teu colo
Sob o afago que alenta


Não posso beber
Se tua boca é a fonte
Da água que sasseia 
E frescor que brota do monte


Não posso respirar
Se não purificar o ar com teu perfume
Teu olor inspira a alma 

Traz o lume.
Não posso enxergar
Nada senão tua figura
Detesto o dia que te leva
E tudo desfigura.
Não posso me guiar 
Nem mesmo pelo tato.
É tua pele e tua presença
Que me faz sentir viva de fato.

Detesto o dia
Tenho o Sol como inimigo
Pois é nos meus sonhos
Que sou feliz contigo.

Coração aprisionado.



"Os pássaros devem ser livres."
Disseste um dia
Ao fitar um canário azul engaiolado.
- É lei divina, que pecado.


Ah! Se tu soubesses
Que pecado!
Meu coração de longas asas aprisionado.

Que pecado.
Não mais cantar com seu piar fraco amargurado.
Que não se pode revelar.
Que pecado.
É lei divina, que pecado.
Passarinho é pra voar
Coração é pra amar.
Mais que pecado...

Ode a ela


De tal formosura qual a quê?
Se frente as musas, és tu a mais bela.
Possui tantos mimos tua graça soturna.
Quantas cores existem na aquarela

Vêm das flores que crescem tão puras no Éden.
Teu perfume que enche os pulmões e inebria.
Enfeitando a aura do ar que te cerca
E as notas formam um buquê de maravilhas.

Jamais pude ser a mesma que antes.
Desde a primeira vez que te beijei.
Quando o tempo parou por um instante.
E, naquele momento te amei.

Qualquer um que amar o pode dizer
Ser mais bela que todas sua musa.
Mas és tu tão formosa criatura
Que do direito de sê-lo tu abusas.

Quando passo por perto de tua morada.
Em te ver meu olhar está disposto
Te procuro em qualquer um que ouso fitar
Em qualquer semelhante enxergo teu rosto.

Encantada me encontro até então
Desde o dia em que provei do beijo dela.
Que tomou-me de assalto o coração
Me inspirando a escrever uma ode a ela.

quarta-feira, 24 de abril de 2013


Minha lira etoa as notas do relicae  do cisne.

domingo, 10 de março de 2013

Brain Storm


Quando a dor for turbulenta
Tomando de assalto a calma
O lírio sucumbe a tormenta cujos seus ventos
Varrem-me a alma.

sábado, 9 de março de 2013

Encaixe

Você aí tão carente e, eu com esse amor que  não me cabe...


des-Humanidade

Quanto mais conheço a humanidade, menos humana me sinto.

Intimidade


Quando me vi refletir nos seus olhos
Defrontei o que me habita profundamente
E quanto mais fundo neles mergulho,
Mais parece que você é que me invade mais intimamente.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Espera a Coragem.


Você teima em me dizer que te abandono,
Sem ao menos perceber
Que te levo nos meus olhos,
Nos meus sonhos...

    É onde eu sou feliz...
Por te fazer a mais feliz das criatuas.
E que sofro por saber que tu procuras
Em outros braços e outros beijos
Em outros corações...
Quem realize teus desejos
Quem complete tuas canções.

Passo em frente a sua rua
Sem te ver.
Estou contente por saber que mora alí,
Que encontrei meu grande amor
Isso me faz sorrir

Mesmo que sejam ilusões
Mil corações não bastariam
Para guardar o sentimento
Que me toma no momento

E se a coragem libertar-me
Do temor que me detêm,
Confessar querer por inteiro
É arriscar a metade que se têm

Se a coragem
Um dia eu encontrar
Eu juro, eu juro,eu juro,eu juro.
Vou te visitar
E declarar meus sentimentos

Vou resgatar teu coração sem dono
E nunca mais. e nunca mais,
Vai reclamar de abandono.

domingo, 1 de julho de 2012

Ego-Abísmo

Eco! Eco! Eco!... Têm alguém aí? O mais profundo vazio, É sentir a ausência de sí. Caminho sem dirção À cada passo a estrada se estreita Acorrentada à solidão À. Esquerda o abismo da morte. O da looucura à direita. Sem mão que me afague. A nuca. Ou berço que recobre a calma O vento sacode meu corpo Querendo me varrer a alma.

domingo, 22 de abril de 2012

Dormir para não sonhar.

O momento mais sublime do sono é, aquele em que não se sonha. Em que simplesmente se deixa de existir.
É quando fico tão longe de mim que nem me lembro que me conheci um dia.
Não gosto muito da minha companhia, uma pena que dure tão pouco esse momento em que não existe o tempo.
E o corpo? Essa carcaça pesada que estou fadada a arrastar comigo aonde quer que eu vá?
É tão bom se libertar desse fardo que até consigo me lembrar desse momento que não há consciência e, sinto saudade.
Eu penso demais, a isso devo a delícia de não pensar.
Tenho os pés bem fincados no chão e a cabeça a esmo nas nuvens. A esse absurdo dedico essa constante maresia.
Não consigo parar de pensar, preciso de respostas e não paro de me perguntar.
Porquê, por quê, porque, por que. As quatro maldições. Nestas palavras habitam a salvação do mundo e declínio que martiriza a mente daqueles de espírito insasciálvel.
Estou fadada a perguntar pra sempre. E nem o sono se aproxima enquanto a dúvida me consome.
Ouvi dizer que o sonho nos traz certas respostas.
Termino por sonhar acordada e, também ter pesadelos dos quais não posso despertar.
Pés no chão, cabeça nas nuvens. A febre consome nas horas a fio dessa noite infinita.
Quanto mais profundo o pensamento, mais dentro de mim. Quanto mais dentro de mim, mais fora de mim.
O espírito que não se satisfaz carece de prazer e é nessa lacuna que se abrigam a dor e a angustia.
Quando impera a escuridão, reina o caos e, o pesadelo devora com violência voraz na noite infinita. 
Preciso dormir pra não sonhar.




sábado, 24 de março de 2012

Contrassenso.

Quando então após intensa febre, o mundo parecer-lhe algo absurdo.
Entenda-se, por fim, de volta a realidade.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Lição.


Aprendi que a emoção é senhora da razão e não o contrário.
Portanto, enquanto teimar em tiranizar meus sentimentos serei obrigada a criar uma realidade paralela que conforte a minha angústia.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Ledo engano.

Quando acreditamos ter aprendido com a vida é porque estamos prestes a tomar novos tombos.
Isso nos ensina que as respostas mudam e que nunca terminamos de aprender.

domingo, 11 de março de 2012


Tive sentimentos tão indescritíveis que cheguei a duvidar do poder das palavras.
Certas experiências são capazes de emudecer até os poetas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

De que me serve?


De que me servem os dedos
Por onde escapa a sanidade?
De que me serve a memória
Só para sofrer de saudade?

De que me servem meus braços
Que não o prendem a mim?
De que me serve a beleza
Destes lençóis de cetim?

De que me servem os pés
Que não me levam daqui?
E levam por árduos caminhos
Nos quais não quero seguir?

De que me servem canções
Dos anjos e serafins?
De que me serve te amar
Se tu não queres a mim?

sábado, 20 de agosto de 2011

De onde eu vim?


Todos os dias eu acordo
Vou à algum lugar
Para o mesmo ponto
E sempre volto
Ainda que demore
De onde eu vim?
Por mais que durma
Eu sempre acordo
Só não me recordo
De onde eu vim.

Quem sou eu?
Porque me olha assim
Não sei de fato
De onde vim.

O que me faz
Ser alguém?
Fui me perdendo, perdendo...
E me perdi.
Pra me encontrar
Devo voltar
Vai, diz pra mim
De onde eu vim?

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Amor Infante

Em mim, há uma doença rara
Uma insistência cara
Que me faz penar.

Pode ser azar
Talvez deva orar
Pela minha ventura.

Perco a compostura
Na tola loucura
De me apaixonar.

Caminho pelas tão sombrias,
Negras e vazias
Terras de ilusão.

Ah, meu coração!
Que sofreguidão
Por ser negligente.

Será que não aprendes
Que o amor que sentes
É uma perdição?

Ouve coração
Sem lamentação
Pelo amor infante.

Que em prazer constante
Mata num instante
Eu, criança errante.

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